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03/11/2009 - 13h11m

Agricultores familiares dão exemplo e melhoram de vida no interior de Alagoas

Com assistência técnica do Estado e recursos do Pronaf para fazer investimentos, pequenos produtores rurais já pensam em expandir e diversificar as atividades, garantindo ocupação e renda

Agricultores familiares dão exemplo e melhoram de vida no interior de Alagoas

José Augustinho aplicou o crédito do Pronaf na produção de goiaba e com orientação técnica expandiu a produção (foto: Ascom/Seagri)

Diego Barros

O trabalho de quem mora na zona rural e vive da roça não é fácil. Exige muita dedicação, esforço físico e paciência, mas quando se tem à disposição o apoio da família, a assistência técnica e a possibilidade de obter recursos para fazer investimentos, os resultados de todo esse trabalho podem melhorar a vida dos agricultores. É o que acontece em Limoeiro de Anadia e Taquarana, interior de Alagoas, onde a reportagem constatou que o empreendedorismo pode fazer a diferença nas pequenas comunidades rurais.

Nesses municípios, os agricultores tiveram acesso a empréstimos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para iniciar uma atividade ou investir na produção que já praticavam. Outro fator que colaborou para a melhoria das condições de vida desses agricultores foi a assistência técnica prestada pelos técnicos da Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (Seagri).

Foi com o auxílio dos técnicos que eles puderam elaborar o projeto para receber os recursos do Pronaf e utilizar novas técnicas com a lavoura, como a poda correta, adubação, irrigação e também orientação para comercializar. Alguns deles vendem a produção para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e comemoram o resultado desse trabalho. Confira, abaixo, esses exemplos.

Goiaba irrigada e dinheiro no bolso

José Augustinho Francisco, de 46 anos, mora na zona rural de Taquarana e possui 6,5 tarefas de terra, das quais três ele usa para o cultivo de goiaba. No entanto, até dois anos atrás a produção não era boa e ocorria apenas em um período do ano.

Em 2007, José Augustinho foi atendido por técnicos da Seagri e orientado a obter um empréstimo do Pronaf para irrigar a produção de goiaba. Ele obteve R$ 7 mil para fazer a irrigação, foi orientado em todas as etapas, desde a ida ao banco até a implantação dos equipamentos, e hoje colhe goiaba pelo menos duas vezes por semana. “Trabalhamos aqui eu e mais três pessoas da minha família. Quando precisa, a gente chama mais algum trabalhador pra ajudar”, relata o agricultor.

De acordo com ele, cada um dos 300 pés de goiaba produz em média 30 quilos da fruta por safra. Uma caixa que tem entre 22 e 25 quilos é vendida por R$ 25,00. Segundo ele, toda a produção é vendida na região, e não falta mais dinheiro no bolso de seu José Augustinho para atender outras necessidades da família.

“Ele foi orientado sobre como podar os pés de goiaba para que tenha produção o tempo todo, como fazer a adubação, a irrigação e a comercialização”, cita o técnico agrícola Jorge Tomé, do escritório da Seagri em Taquarana. “Assim como ele, tem muita gente aqui na região que fez irrigação de outras culturas e conseguiu melhorar a produção e a vida”, afirma Jorge.

Os R$ 7 mil que seu José Augustinho adquiriu para financiar sua produção serão pagos em oito anos, após um período de carência de dois anos. “Vou sim, com certeza eu vou pagar”, declarou, ao ser perguntado se terá condições para pagar o empréstimo.

Produção de inhame aumentou

Também na zona rural de Taquarana, a poucos quilômetros de onde mora José Augustinho Francisco, vive José Silvânio, de 28 anos, com a família. Com orientação técnica, ele pensou em melhorar a produção de inhame.

Deste modo, ele e o pai foram ao banco, três anos atrás, onde conseguiram R$ 10 mil pelo Pronaf C para fazer a irrigação da plantação de inhame. De lá para cá, a produtividade passou de 100 para 150 sacos de inhame por tarefa — cerca de 1/3 de hectare. “A vida também melhorou”, conta José Silvânio.

E melhorou mesmo: nesse período, ele e a família compraram, com o dinheiro da venda do inhame e de outros produtos, mais oito tarefas de terra, construíram uma casa e irrigaram também a plantação de mamão, batata e cebolinha.

Ele e mais 26 produtores fazem parte de uma associação, que fornece inhame para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), órgão do governo federal que compra produtos da agricultura familiar por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) para fazer a distribuição a famílias em vulnerabilidade social e a entidades como creches, hospitais, escolas e orfanatos.

Criação de vacas — No povoado Mamoeiro, no município de Limoeiro de Anadia, localizado no Agreste do Estado, conhecemos o Nelson Juvenal da Silva, de 51 anos. Ele mora só com a mulher, Maria de Fátima, numa casa que fica na propriedade do casal, de oito tarefas de terra — cerca de dois hectares e meio. Além disso, ele possui outras quatro tarefas.

Ele conta que há seis anos plantava fumo na propriedade, “mas o rendimento era muito pouco”. Foi então que ficou sabendo da possibilidade de obter um empréstimo, do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf B). Com orientação técnica, foi até uma agência bancária e obteve R$ 500,00. Com o dinheiro, comprou uma novilha e um animal de tração “para puxar uma carroça e realizar algumas atividades na propriedade”, nas palavras dele.

Na época exata, Nelson pagou o empréstimo ao banco, pois com a vaca ele já produzia leite para melhorar a alimentação em casa e vendia o excedente. Nos anos seguintes, ele obteve mais três empréstimos pelo Pronaf B. “O segundo que eu tirei foi de R$ 1 mil, que eu apliquei para comprar vacas”, lembra. Hoje ele possui nove vacas, inclusive a primeira de todas, que comprou há seis anos.

Nelson possui hoje 12 tarefas de terra — aproximadamente quatro hectares — onde planta palma e capim para alimentar as nove vacas e uma égua. Como na propriedade dele passa um riacho, não falta água em nenhuma época do ano para alimentar os animais.

O produtor pretende desenvolver outra atividade na propriedade, como o cultivo de uma cultura diferente. Para isso, está sendo acompanhado por técnicos da Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (Seagri), por meio da Gerência Regional de Arapiraca.

“Ele é um exemplo para todos os agricultores que receberam o empréstimo do Pronaf”, salienta José Felix Dão, extensionista agrícola. “É importante pagar o empréstimo na hora certa”, deixa o recado seu Nelson.

Governo vai reforçar a assistência técnica rural

Para garantir o atendimento a agricultores como Nelson Juvenal da Silva, José Silvânio e José Augustinho Francisco, a Seagri vai contratar mais 150 técnicos extensionistas, por meio de um novo convênio com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), no valor de R$ 9 milhões.

“Além da contratação dos técnicos, com esse convênio daremos continuidade à melhoria de todo o serviço de assistência e extensão rural”, ressalta Ruy Falcão, diretor de Extensão Rural. Segundo ele, outros 206 técnicos serão contratados com recursos do próprio Estado, adquiridos com o Banco Interamericano de Reconstrução e Desenvolvimento (Bird).

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