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Projetos e ações visam melhorar qualidade e aumentar produtividade do leite em Alagoas

Alagoas produz, diariamente, 650 mil litros de leite e ocupa a primeira colocação em produtividade na região Nordeste.

Agência Alagoas

Trabalhos e projetos objetivando aumentar a produção leiteira e melhorar a qualidade dos derivados do leite em Alagoas vêm sendo implantados nos municípios que fazem parte da Bacia Leiteira, com o apoio da Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (Seagri). As deficiências no setor foram identificadas e agora as atenções estão voltadas para a execução dos trabalhos que vão garantir benefícios não só aos produtores como também aos consumidores do leite e dos produtos derivados produzidos no Estado.

O crescimento do número de associações de produtores leiteiros em Alagoas é um fator relevante que precisa ser destacado, já que os pequenos produtores (que produzem até 500 litros de leite por dia) são responsáveis por 80% do que é produzido no Estado. Como afirma o presidente do Sindicato Rural dos Produtores de Leite de Alagoas (Sindileite), André Ramalho, o futuro do leite está no associativismo.

Atualmente, são 12 associações existentes na região da Bacia Leiteira, sendo duas em Belo Monte, Jaramataia, Jacaré dos Homens, Olho D’Água das Flores e Monteirópolis e uma em Pão de Açúcar e Major Izidoro. “Por meio das associações os pequenos produtores se tornam grandes. Com o associativismo eles passam a ter a bagatela na hora da compra de insumos e viabilidade no que diz respeito à assistência técnica, que hoje é imprescindível”, disse André Ramalho.

Alagoas é, atualmente, o primeiro colocado em produtividade leiteira do Nordeste e o 3º do país. Já no que diz respeito à produção, o Estado está em 6º lugar no Nordeste, com uma média diária de 650 mil litros, e um rebanho aproximado de 100 mil vacas leiteiras.

É pensando nessa grande capacidade de produção e na ótima qualidade genética dos animais do Estado que a Seagri tem voltado uma atenção especial à região da Bacia Leiteira. Uma parceria entre a secretaria e o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) vai garantir a instalação de um Centro de Referência em Biotecnologia da Reprodução e Produção de Ruminantes, onde vai funcionar uma central de inseminação artificial e uma clínica de recuperação de ruminantes, de grande importância para os produtores da região.

Além disso, um projeto voltado para melhorar a qualidade e aumentar a produtividade da palma forrageira — hortaliça que serve de alimento para o gado — vem sendo desenvolvido sob consultoria técnica de Paulo Suassuna. Por meio das ações implantadas dentro do Projeto Alagoas com a Palma na Mão, a produtividade da hortaliça é multiplicada de 10 a 12 vezes por hectare plantado. O projeto propõe o uso da palma na alimentação humana e na produção de cosméticos, o que pode se transformar em uma nova fonte de renda para as famílias dos produtores.

O congelamento e o beneficiamento do leite também tem sido uma preocupação. Como a maioria dos pequenos produtores não tem condições de investir na compra do equipamento necessário, uma parceria firmada entre a Seagri e as associações de produtores garante a implantação de tanques de resfriamento de leite nas instalações das associações.

Segundo o diretor de Política Agropecuária da Seagri, Ubaldo Soutinho, Alagoas possui cerca de 200 pequenas fabriquetas de queijo, das quais 20% ainda não estão regularizadas. Diante disso, o órgão também vem realizando o trabalho de regularização dos produtores, do ponto de vista fiscal e sanitário. “Nós encontramos uma série de gargalos na Bacia Leiteira do Estado e é com o objetivo de sanar essas dificuldades que nós estamos trabalhando”, disse Ubaldo.

O Programa Alagoas com o Balde Cheio, voltado para a assistência técnica e que visa melhorar a gestão de recursos e propriedades para fomentar os negócios da região, também foi implantado. “O programa vai ensinar o produtor a gerenciar os índices zootécnicos e financeiros”, explicou André Ramalho.

Mas as novidades no setor leiteiro de Alagoas não terminam por aí. Um selo de Qualidade Comprovada em Lácteos também vai ser implantado até o próximo mês de novembro. Resultado de uma parceria entre o Serviço Nacional de Apoio a Indústria (Senai) e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o selo tem como principal objetivo a valorização do empresário que investe para oferecer produtos de melhor qualidade e, para os consumidores, a garantia de que os produtos consumidos estão dentro das regras sanitárias.

“Sem o selo, o consumidor não tem um indicador na embalagem para saber se o produto é bom. A idéia é dar a oportunidade de as empresas se diferenciarem no mercado”, disse o diretor de Tecnologia do Senai, Alexandre Caiado.

Qualquer empresa pode aderir ao selo desde que sigam 188 itens que foram adaptados aos previstos pelo Ministério. Inicialmente, 10 empresas com um produto cada vão passar por auditorias e, sem seguida, ter o selo implantado. Análises serão realizadas trimestralmente nos produtos no intuito de observar se todas as exigências estão sendo cumpridas.
Além de todas essas ações que vêm sendo realizadas, a região também possui um Arranjo Produtivo Local (APL Laticínios), que desenvolve atividades como capacitação, voltadas à área do processamento do leite. Segundo André Ramalho, Alagoas possui cerca de 17 mil propriedades que produzem leite, localizadas em 11 municípios.