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Projeto aumenta produtividade e estimula uso da palma também na alimentação humana

"Alagoas com a Palma na Mão" garante uso da palma na alimentação humana e produção de cosméticos. Nova tecnologia utilizada garante produtividade 10 a 12 vezes maior que cultivo convencional.

 

Gazeta Rural

 

Produtores rurais de Batalha e Major Isidoro aos poucos estão aprendendo novas formas de cultivo e de uso da palma forrageira. Iniciado no último mês de março, com incentivo da Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (Seagri), o projeto "Alagoas com a Palma na Mão" vem garantindo uma produtividade de 10 a 12 vezes maior que a adquirida por meio do cultivo convencional, além de ensinar técnicas de utilização da palma para o consumo humano e a produção de cosméticos, o que futuramente pode se tornar mais uma fonte de renda para as famílias engajadas.

 

O "Alagoas com a Palma na Mão" propõe não somente a utilização de novas formas de consumir a palma, mas uma mudança cultural na vida de famílias que passarão a utilizar a planta, que antes servia de alimento somente para o gado, na própria alimentação, acrescentando uma fonte de cálcio, ferro e vitamina 'A' às refeições. A palma é a terceira hortaliça mais consumida no México. Possui mais vitamina 'A', cálcio e ferro que o tomate, a couve e a vagem.

 

Consultor - "Imagine a gente dizer à pessoa que passou a vida toda alimentando os ruminantes com a palma que ela é um alimento riquíssimo e que pode ser consumido pelo homem?. É, sem dúvida alguma, uma questão cultural", diz o consultor-técnico Paulo Suassuna - sobrinho do escritor Ariano Suassuna -, mentor e entusiasta do projeto, que também já foi implantado nos estados de Pernambuco e Paraíba.

 

No campo, o trabalho foi iniciado com a implantação dos Núcleos de Tecnologia Social, sendo um em cada município alagoano onde o projeto está sendo executado.  O Núcleo consiste em um espaço de 1 hectare onde a palma é plantada obedecendo à tecnologia de cultivo intensivo. Por meio dela, o produtor, além de conseguir aproveitar melhor o espaço para plantação, também garante uma colheita anual e perene, que tem um tempo médio de vida de 20 anos.

 

Cada Núcleo de Tecnologia Social conta com a participação de 15 produtores, que já começaram a receber treinamentos. As áreas, localizadas na Associação dos Produtores de Leite, em Major Isidoro e no Parque de Exposição Mair Amaral, em Batalha, já foram preparadas e plantadas com a utilização da nova técnica. Em cada uma delas, foram plantadas 78 mil raquetes de Palmas, em um espaço onde antes só cabiam 10 mil.

 

Como explica Suassuna, a nova tecnologia de cultivo da hortaliça faz com que as raquetes funcionem como uma placa de energia solar. Todas elas são colocadas com a "face" voltada para o sol, fazendo com que ela sintetize mais e tenha um desenvolvimento quase duplicado. No sistema convencional, as raquetes são plantadas ao contrário. 

 

Suassuna explica que antes de colocar as raquetes dispostas para o sol, é necessário que elas repousem por 15 dias. "Nós cortamos a raquete e deixamos ela repousar e por isso não queima ao ser colocada voltada para o nascer do sol. No outro sistema, elas são plantadas ao contrário, justamente para não serem queimadas", observa o consultor.

 

Produtividade - Além disso, o espaçamento entre as raquetes e a época de plantio também são diferenciadas no novo sistema, o que contribui para garantir uma colheita anual, o que só acontece a cada três ou quatro anos no sistema convencional. "A Palma plantada no sistema convencional só vai ficar igual a uma com três meses, plantada por meio da nova tecnologia, um ano depois", destacou Suassuna. 

 

O Diretor de Política Pesqueira da Seagri, Edson Iutaca Maruta, faz um comparativo e explica que o produtor consegue, por meio do sistema convencional, colher 60 toneladas de palma por hectare a cada três anos, com um custo aproximado de R$ 1 mil. Já por meio do cultivo intensivo, apesar de o custo ser de cinco a seis vezes maior, a colheita anual de 400 toneladas de palma por hectare é garantida.

 

Deve-se ressaltar também, o fato de que, com o uso da nova tecnologia para a plantação da palma, a Bacia Leiteira do Estado vai ser bastante beneficiada, tendo em vista que a produção de hortaliça em abundância vai acarretar em ganho de produção leiteira e de peso.

 

Consumo - Mas o projeto não se restringe somente ao campo, ele também está envolvendo dois grupos de 15 alunos de duas escolas localizadas cada uma em um município onde o projeto está sendo desenvolvido. É por meio do projeto 'Pequeno Especialista' - que faz parte do "Alagoas com a Palma na Mão" - que elas serão as grandes responsáveis por difundir as técnicas de plantação e de cultivo da palma para o consumo humano.

 

No Colégio Cenecista Nossa Senhora da Penha, localizado em Batalha, um grupo de crianças com idade entre 7 e 14 anos já participaram, dentro da área da própria escola, do processo de plantação da palma para produção de brotos tenros - parte da hortaliça que serve ao consumo humano. Desde então, elas têm sido as responsáveis por cuidar da plantação.

 

"Elas participaram de todo o processo de plantação. Fizeram fila indiana, pegaram na inchada, no esterco, colocaram adubo de fundação e até escolheram as raquetes ideais a serem plantadas. Agora elas estão com a responsabilidade de não deixar o 'mato' crescer em torno da plantação e nem surgir lagartinha", diz Suassuna.

 

Ao término dos treinamentos, as crianças serão as únicas a dominarem as técnicas de produção dos brotos tenros da Palma e, a partir daí, ficarão incumbidas de repassar todas as informações aos pais - os produtores.

"O nosso principal objetivo é fazer com que as crianças cresçam com a certeza de que o cultivo da palma não tem que ser somente para a forragem. Essas crianças não vão esquecer nunca do que estão aprendendo com o projeto porque eles têm participação efetiva em todos os processos", comenta o especialista.

 

Merenda - A professora e a merendeira também estão incluídas no Projeto Pequeno Especialista. Por meio delas, a palma vai passar a ser utilizada no ensino de diversas disciplinas e a merenda terá a palma como principal ingrediente.

 

O leque de pratos que podem ser feitos a partir da hortaliça é extenso. Eles podem ser quentes ou frios, devendo ser levadas em consideração as particularidades da hortaliça - colhida pela manhã tem caráter ácido, à tarde, neutro. Além disso, a palma também pode ser utilizada para enfatizar o sabor dos alimentos, já que ela também possui a característica de potencializar temperos. O primeiro treinamento para a produção de alimentos a partir da palma já aconteceu e muitos pratos feitos à base da hortaliça já fizeram parte, este ano, do festival gastronômico 'Deguste Major'.

 

Entre os pratos que podem ser feitos tendo a Palma como base estão risoto, suflê, ensopado de palma ao molho de coco, torta matuta com surpresa de palma, fritada e mousse, além de suco, picolé e diversos tipos de saladas. No próximo dia 2 de agosto, quando o consultor voltar ao município de Batalha, vai repassar às crianças informações sobre os valores nutricionais da palma.

 

Cosméticos - O projeto também vai ensinar aos produtores técnicas de produção de cosméticos a partir da hortaliça, que vai poder se transformar em mais uma fonte de renda para as famílias. Por meio da hortaliça, é possível desenvolver shampoo, condicionador, sabonete, protetor labial, batom, gel para tirar estrias e gorduras localizadas, loção pós barba, creme hidratante e até protetor solar. O curso para produção de cosméticos deve ser realizado em setembro.

 

De acordo com o presidente do Sindicato Rural dos Produtores de Leite de Alagoas (Sindileite), André Ramalho, já existe a pretensão do Sebrae nacional de estender o projeto para nove estados do País. Nomeado de "Palmas para o Nordeste", ele abrangeria do Norte de Minas Gerais até o Piauí. Essa ampliação resultaria para Alagoas na abrangência de mais seis municípios do semi-árido alagoano. Segundo Ramalho, os municípios ainda não foram definidos. "O grande beneficiado com tudo isso será o produtor", afirma.  

O projeto "Alagoas com a Palma na Mão" tem como parceiros Senar, Sebrae, Banco do Nordeste, Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (Seagri), Vale Dourado, Cooperativa Camila, Rural, Usifértil e produto.